As dificuldades associadas à Inteligência e Consciência Coletivas

Nos casos da Inteligência e Consciência Coletivas estamos perante duas dimensões da natureza Humana, que apesar de se terem vindo a avolumar com o desenvolvimento tecnológico, a globalização e o acesso massivo ao conhecimento armazenado na internet, ainda não atingiram uma ‘massa crítica’ capaz de conduzir a benefícios significativos para a Humanidade. São essencialmente conceitos para o desenvolvimento do século XXI.

“O conceito da inteligência coletiva foi criado a partir de alguns debates realizados por Pierre Lévy (‘A inteligência coletiva é um conceito de um tipo de inteligência compartilhada que surge da colaboração de muitos indivíduos em suas diversidades. É uma inteligência distribuída por toda parte, na qual todo o saber está na humanidade, já que ninguém sabe tudo, porém todos sabem alguma coisa’) relacionados às tecnologias da inteligência. Caracteriza-se pela nova forma de pensamento sustentável através de conexões sociais que se tornam viáveis pela utilização das redes abertas de computação da internet.

As tecnologias da inteligência são representadas especialmente pelas linguagens, os sistemas de signos, recursos lógicos e pelos instrumentos dos quais nos servimos. Todo nosso funcionamento intelectual é induzido por essas representações. Segundo o filósofo e sociólogo criador do conceito de inteligência coletiva Pierre Lévy, os seres humanos são incapazes de pensar só e sem o auxílio de qualquer ferramenta.

A inteligência coletiva seria uma forma de o homem pensar e compartir seus conhecimentos com outras pessoas, utilizando recursos mecânicos como, por exemplo, a internet. Nela os próprios usuários é que geram o conteúdo através da interatividade com o website.” – Eliene (https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/informatica/inteligencia-coletiva.htm)

“O conceito de consciência coletiva foi criado pelo sociólogo Francês Émile Durkheim (‘Conjunto das crenças e dos sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade que forma um sistema determinado com vida própria’) e é definido como o conjunto de características e conhecimentos comuns de uma sociedade, que faz com que os indivíduos pensem e ajam de forma minimamente semelhante. Corresponde às normas e às práticas, aos códigos culturais, como a etiqueta, a moral e as representações coletivas.

Para Durkheim, um funcionalista, o indivíduo, em muitas de suas práticas, é influenciado pela sociedade em que está inserido. Logo, o indivíduo e suas ações são fortemente influenciada pela consciência individual e coletiva. Mas os limites entre ambas não são muito claros, pois mesmo decisões consideradas extremamente individuais, como a de tirar a própria vida, são influenciadas pelas condições sociais.

Isto se torna mais fácil de compreender quando pensamos nos aspetos individuais de compreensão do mundo, ou seja, as palavras, a língua, as categorias, as representações o conhecimento do mundo só acontece através de um mínimo de comunhão a respeito de aspetos básicos para que os indivíduos tenham algum grau de certeza que quando falam de algo o outro é capaz de compreender sobre o que fala.” – Marcele Juliane Frossard de Araujo. (https://www.infoescola.com/sociologia/consciencia-coletiva/)

Como os meus caros Leitores sabem, eu tenho vindo a defender que estas dimensões sociológicas do Homem deveriam ser objeto do ensino formal de TODOS os Cidadãos do Mundo. Só assim conseguiríamos atingir o estado quântico que nos permitiria dar o ‘salto’ e contribuir para resolver muitos dos problemas que temos criado à Biosfera mas também passar para outro ‘estado’ onde o Homem se transformará em Ser Humano com o contributo dos Valores Humanos.

Muitos de nós compreenderão que são dimensões Humanas que só com uma Educação de Qualidade para TODOS se poderão atingir e consolidar. Difícil de conseguir SIM, utópico NÃO. Só depende da vontade do Homem, como em tantos outros avanços científicos, tecnológicos e sociais que nos têm catapultado para desenvolvimentos reais.

Quando se trata do Coletivo, que não esteja no âmbito da Religião ou da Política, tudo se torna mais complicado de implementar com a ausência do elemento essencial e aglutinador – a EDUCAÇÃO GLOBAL.

Empatia

Sobretudo, quando o Homem implementou um sistema ‘fatal’, que está bem enraizado na mente das Pessoas, de NegócioDinheiroLucro que contribui decisivamente para a competitividade e ambição egocêntrica. Deste modo torna-se difícil libertarmo-nos do que nos ‘aprisiona’, consciente ou inconscientemente, para um Mundo com muito pouca Inteligência Social.

Dos textos que tenho desenvolvido e publicado no meu Blog (https://saalmeida.wordpress.com) e nesta minha nova página tenho contado com opiniões críticas sérias e construtivas, sobre estas dimensões, da autoria do meu amigo Joaquim Serra. Sobre essas opiniões, gostaria de lhes dar a conhecer as mais recentes, pela importância que possuem para a compreensão das dificuldades na implementação destes conceitos coletivos:

Vítimas da própria consciência – A consciência não é uma qualidade única, padronizada, de iluminismo mental de um estado psíquico de estar ciente de tudo e tudo saber, talvez por isso jamais se alcançou aquele almejado estado utópico de consciência colectiva tão apregoado quanto almejado.

Talvez a impossibilidade da consciência colectiva resida no dilema gerado por dois níveis de consciência dos quais o processo educativo é determinante: A Consciência Ingénua e a Consciência Crítica.

A consciência ingénua surge de um modelo de educação legitimadora das relações sociais de domínio, politico, económico, cultural, moral, que acaba por criar passionalidade em relação ao status quo, e uma certa alienação da realidade.

Contrariamente, a consciência crítica, por natureza dialéctica, sistematiza-se pela racionalidade na representação mental que emerge da análise e do questionamento científico proveniente do mundo exterior com a clara percepção dos condicionamentos objectivos e dos nexos de causalidade da vida real. Um modelo de educação que busca educar para a autonomia, libertadora, que coloca tudo em causa, pode ser e é contestatória, e, no limite subversiva. (Este modelo criou, de facto, muitos subversivos! Alguns deles autodidactas, já que a educação formal não era muito confiável!)

Nós, humanos, temos uma tendência exacerbada para apreciar a estabilidade, e nessa perspectiva, o não perder uma situação em que nos sintamos confortáveis, e que até possa representar alguma vantagem em relação ao outro, ou aos demais, tem a nossa predilecção. Ingenuamente, porque não é premeditado, munimo-nos de todos os argumentos que justifiquem (legitimem) a situação e reforcem as escolhas pelas quais optámos, mesmo que estejamos numa posição de dominados, por medo de perder o que alcançamos, ou do risco que implica mudarmos em busca de algo melhor e perder o que tínhamos.

Todos nós temos estes dois níveis de consciência, que são dilemáticos e conflituantes.

Há um terceiro nível de consciência. Um nível a que chamo de Consciência Sonsa (que ou quem finge ser o que não é. = DISSIMULADO, FINGIDO) (https://dicionario.priberam.org/SONSA), uma consciência que “vem de charrete”, mas que a maioria dos mortais prefere chamar de diabólica quando se apercebe dela, se for caso de se aperceber, ou de lhe sentir o efeito.

É aquele nível de consciência que, tendo ciência dos dois níveis de consciência anteriores, induz as pessoas a adotarem o primeiro.” – Joaquim Serra (12/09/2018).

Como poderão verificar não se torna fácil dissociar a Inteligência da Consciência, são duas dimensões que se completam. Infelizmente, tenho de concordar com esta opinião realista do meu estimado amigo Joaquim Serra.

Mas questiono-me;

  1. Não terá o Homem capacidade para agir na dimensão Global?
  2. Não somos os únicos Seres Inteligentes, geradores de conhecimento?
  3. Afinal possuímos ou não uma Consciência?

Se a resposta a estas três questões que coloco for SIM (sem MAS), então estamos em boa posição para passarmos à dimensão superior da Inteligência e Consciência Coletivas.

Alfredo Sá Almeida                                                                                 25 de Setembro de 2018

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