As dificuldades associadas à Inteligência e Consciência Coletivas

Nos casos da Inteligência e Consciência Coletivas estamos perante duas dimensões da natureza Humana, que apesar de se terem vindo a avolumar com o desenvolvimento tecnológico, a globalização e o acesso massivo ao conhecimento armazenado na internet, ainda não atingiram uma ‘massa crítica’ capaz de conduzir a benefícios significativos para a Humanidade. São essencialmente conceitos para o desenvolvimento do século XXI.

“O conceito da inteligência coletiva foi criado a partir de alguns debates realizados por Pierre Lévy (‘A inteligência coletiva é um conceito de um tipo de inteligência compartilhada que surge da colaboração de muitos indivíduos em suas diversidades. É uma inteligência distribuída por toda parte, na qual todo o saber está na humanidade, já que ninguém sabe tudo, porém todos sabem alguma coisa’) relacionados às tecnologias da inteligência. Caracteriza-se pela nova forma de pensamento sustentável através de conexões sociais que se tornam viáveis pela utilização das redes abertas de computação da internet.

As tecnologias da inteligência são representadas especialmente pelas linguagens, os sistemas de signos, recursos lógicos e pelos instrumentos dos quais nos servimos. Todo nosso funcionamento intelectual é induzido por essas representações. Segundo o filósofo e sociólogo criador do conceito de inteligência coletiva Pierre Lévy, os seres humanos são incapazes de pensar só e sem o auxílio de qualquer ferramenta.

A inteligência coletiva seria uma forma de o homem pensar e compartir seus conhecimentos com outras pessoas, utilizando recursos mecânicos como, por exemplo, a internet. Nela os próprios usuários é que geram o conteúdo através da interatividade com o website.” – Eliene (https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/informatica/inteligencia-coletiva.htm)

“O conceito de consciência coletiva foi criado pelo sociólogo Francês Émile Durkheim (‘Conjunto das crenças e dos sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade que forma um sistema determinado com vida própria’) e é definido como o conjunto de características e conhecimentos comuns de uma sociedade, que faz com que os indivíduos pensem e ajam de forma minimamente semelhante. Corresponde às normas e às práticas, aos códigos culturais, como a etiqueta, a moral e as representações coletivas.

Para Durkheim, um funcionalista, o indivíduo, em muitas de suas práticas, é influenciado pela sociedade em que está inserido. Logo, o indivíduo e suas ações são fortemente influenciada pela consciência individual e coletiva. Mas os limites entre ambas não são muito claros, pois mesmo decisões consideradas extremamente individuais, como a de tirar a própria vida, são influenciadas pelas condições sociais.

Isto se torna mais fácil de compreender quando pensamos nos aspetos individuais de compreensão do mundo, ou seja, as palavras, a língua, as categorias, as representações o conhecimento do mundo só acontece através de um mínimo de comunhão a respeito de aspetos básicos para que os indivíduos tenham algum grau de certeza que quando falam de algo o outro é capaz de compreender sobre o que fala.” – Marcele Juliane Frossard de Araujo. (https://www.infoescola.com/sociologia/consciencia-coletiva/)

Como os meus caros Leitores sabem, eu tenho vindo a defender que estas dimensões sociológicas do Homem deveriam ser objeto do ensino formal de TODOS os Cidadãos do Mundo. Só assim conseguiríamos atingir o estado quântico que nos permitiria dar o ‘salto’ e contribuir para resolver muitos dos problemas que temos criado à Biosfera mas também passar para outro ‘estado’ onde o Homem se transformará em Ser Humano com o contributo dos Valores Humanos.

Muitos de nós compreenderão que são dimensões Humanas que só com uma Educação de Qualidade para TODOS se poderão atingir e consolidar. Difícil de conseguir SIM, utópico NÃO. Só depende da vontade do Homem, como em tantos outros avanços científicos, tecnológicos e sociais que nos têm catapultado para desenvolvimentos reais.

Quando se trata do Coletivo, que não esteja no âmbito da Religião ou da Política, tudo se torna mais complicado de implementar com a ausência do elemento essencial e aglutinador – a EDUCAÇÃO GLOBAL.

Empatia

Sobretudo, quando o Homem implementou um sistema ‘fatal’, que está bem enraizado na mente das Pessoas, de NegócioDinheiroLucro que contribui decisivamente para a competitividade e ambição egocêntrica. Deste modo torna-se difícil libertarmo-nos do que nos ‘aprisiona’, consciente ou inconscientemente, para um Mundo com muito pouca Inteligência Social.

Dos textos que tenho desenvolvido e publicado no meu Blog (https://saalmeida.wordpress.com) e nesta minha nova página tenho contado com opiniões críticas sérias e construtivas, sobre estas dimensões, da autoria do meu amigo Joaquim Serra. Sobre essas opiniões, gostaria de lhes dar a conhecer as mais recentes, pela importância que possuem para a compreensão das dificuldades na implementação destes conceitos coletivos:

Vítimas da própria consciência – A consciência não é uma qualidade única, padronizada, de iluminismo mental de um estado psíquico de estar ciente de tudo e tudo saber, talvez por isso jamais se alcançou aquele almejado estado utópico de consciência colectiva tão apregoado quanto almejado.

Talvez a impossibilidade da consciência colectiva resida no dilema gerado por dois níveis de consciência dos quais o processo educativo é determinante: A Consciência Ingénua e a Consciência Crítica.

A consciência ingénua surge de um modelo de educação legitimadora das relações sociais de domínio, politico, económico, cultural, moral, que acaba por criar passionalidade em relação ao status quo, e uma certa alienação da realidade.

Contrariamente, a consciência crítica, por natureza dialéctica, sistematiza-se pela racionalidade na representação mental que emerge da análise e do questionamento científico proveniente do mundo exterior com a clara percepção dos condicionamentos objectivos e dos nexos de causalidade da vida real. Um modelo de educação que busca educar para a autonomia, libertadora, que coloca tudo em causa, pode ser e é contestatória, e, no limite subversiva. (Este modelo criou, de facto, muitos subversivos! Alguns deles autodidactas, já que a educação formal não era muito confiável!)

Nós, humanos, temos uma tendência exacerbada para apreciar a estabilidade, e nessa perspectiva, o não perder uma situação em que nos sintamos confortáveis, e que até possa representar alguma vantagem em relação ao outro, ou aos demais, tem a nossa predilecção. Ingenuamente, porque não é premeditado, munimo-nos de todos os argumentos que justifiquem (legitimem) a situação e reforcem as escolhas pelas quais optámos, mesmo que estejamos numa posição de dominados, por medo de perder o que alcançamos, ou do risco que implica mudarmos em busca de algo melhor e perder o que tínhamos.

Todos nós temos estes dois níveis de consciência, que são dilemáticos e conflituantes.

Há um terceiro nível de consciência. Um nível a que chamo de Consciência Sonsa (que ou quem finge ser o que não é. = DISSIMULADO, FINGIDO) (https://dicionario.priberam.org/SONSA), uma consciência que “vem de charrete”, mas que a maioria dos mortais prefere chamar de diabólica quando se apercebe dela, se for caso de se aperceber, ou de lhe sentir o efeito.

É aquele nível de consciência que, tendo ciência dos dois níveis de consciência anteriores, induz as pessoas a adotarem o primeiro.” – Joaquim Serra (12/09/2018).

Como poderão verificar não se torna fácil dissociar a Inteligência da Consciência, são duas dimensões que se completam. Infelizmente, tenho de concordar com esta opinião realista do meu estimado amigo Joaquim Serra.

Mas questiono-me;

  1. Não terá o Homem capacidade para agir na dimensão Global?
  2. Não somos os únicos Seres Inteligentes, geradores de conhecimento?
  3. Afinal possuímos ou não uma Consciência?

Se a resposta a estas três questões que coloco for SIM (sem MAS), então estamos em boa posição para passarmos à dimensão superior da Inteligência e Consciência Coletivas.

Alfredo Sá Almeida                                                                                 25 de Setembro de 2018

As ‘teias’ do Poder

Teia dos poderes

O Homem ao longo do seu processo evolutivo, e de afirmação de espécie dominante, construiu muitas ‘teias’ capazes aprisionar e imobilizar todos aqueles que voam livre e despreocupadamente.

Essas ‘teias’ foram tomando volume e dimensão, ao ponto de constituírem um Poder ao qual é difícil escapar.

Não vou falar de todas as tramas que foram sendo tecidas, mas vou mencionar apenas algumas com muito significado. Assim, algumas das mais impactantes:

  1. A indústria da Guerra e do armamento (nas componentes terra, mar, ar, espaço e ciberespaço);
  2. O sistema financeiro global internacional e a sua sofisticação;
  3. O tráfico humano, de armas e substâncias estupefacientes;
  4. A World Wide Web na sua dimensão mais negra.

Todas estas ‘teias’ se avolumaram com a ‘explosão’ tecnológica, mas nasceram pela vontade e necessidade em dominar, e cresceram na mente de Pessoas interessadas, inteligentes, destemidas e capazes de subjugar sistemas anexos.

Todas elas foram tecidas pelo interesse no Poder e na capacidade de ganhos significativos em dinheiro. O objetivo, sempre foi o de obter um BOM lucro num curto intervalo de tempo. O bem-comum nestes sistemas de Poder está desprovido de significado, pois tudo é feito para garantir que as ‘teias’ se perpetuem e se desenvolvam.

Se adicionarmos outras tramas formais e/ou informais, desprovidas do sentido do bem-comum, e do desenvolvimento humano, verificamos que o espaço que sobra é pouco para o muito que a Humanidade necessita para o seu desenvolvimento. Além da falta desse espaço que a Humanidade carece, a influência que esses poderes exercem é de tal forma grande e capaz de anular toda e qualquer iniciativa que pretenda inibi-los ou diminuí-los (em resumo, destruí-los).

Os meus caros Leitores perguntarão – ‘Então onde e como fica a nossa Liberdade de atuação, construção de novas ideias e desenvolvimento Humano, neste Planeta?’Fica precisamente nos intervalos ou interstícios ‘permitidos’ por essas ‘teias’ de Poder, sem capacidade de se tornar uma ‘TEIA’ de BEM-COMUM e ter, e ser, um polo de verdadeiro desenvolvimento Humano. Tal como no nosso Universo, a força gravitacional dos maiores atrairá os mais pequenos, para que estes orbitem ou se esmaguem.

A mente Humana tem uma capacidade enorme de criar, construir e tecer as melhores e mais belas ‘teias’ com Inteligência e Consciência Coletivas, onde o Bem-comum seja uma constante dinâmica e virtuosa. Mas agora que orbitamos as já existentes, saberemos desligar-nos e desenvolver um sistema que não tenha ‘teias’ que nos aprisionem ou asfixiem? (numa teia onde uma aranha domina, quando uma mosca fica aprisionada e se movimenta muito, mais imobilizada fica e mais rápido morre).

O nosso Futuro Coletivo está dependente de muitos e intrincados fatores. A mente Humana é a entidade capaz de nos conduzir para o melhor que a Humanidade tem para oferecer nesta nossa Biosfera. A Educação e os sistemas Educativos deveriam estar orientados para preparar e fortificar as MENTES EXISTENTES EM MENTES SAUDÁVEIS E DESENVOLVIDAS. Saibamos usá-la para o Bem-comum.

O meu caro Leitor já reparou quão fácil é, para um Ser Humano, derrubar uma teia de aranha? Então a nossa mente também será capaz de derrubar outras ‘teias’, aquelas que nos condicionam e nos enfraquecem como espécie Inteligente e construtora de Futuros.

Paz3

Alfredo Sá Almeida                                                                                  18 de Setembro de 2018

Você permitirá que o(a) classifiquem como um inútil?

Tenho de concordar com Yuval Harari quando afirma que uma nova e imensa classe de Pessoas surgirá, a dos INÚTEIS, se o Homem continuar a desenvolver as tecnologias com a obsessão pelo poder e a ganância pelo dinheiro, como temos observado até hoje. Este Escritor deixa-nos perplexos com a análise que faz da Humanidade. A previsão que faz do Futuro é assustadora. O facto de ser Professor de História dá-lhe argumentos plausíveis.

Numa entrevista recente Yuval Harari afirma: “Computadores altamente inteligentes poderão expulsar milhares de milhões de pessoas do mercado de trabalho, criando uma imensa “classe inútil”. Ao mesmo tempo, poderão tornar possível a criação de ditaduras digitais. No século XX, a democracia derrotou a ditadura, porque a democracia é mais eficaz a processar informação e a tomar decisões. O conflito entre a democracia e a ditadura não é apenas um conflito entre diferentes sistemas éticos, mas entre diferentes métodos de processar informação e tomar decisões. A democracia distribui informação e o poder de tomar decisões entre muitas pessoas e instituições, enquanto as ditaduras concentram a informação e o poder num lugar. Dada a tecnologia existente no século XX, era pouco eficaz concentrar informação e poder num único lugar. Ninguém tinha a capacidade de processar toda a informação com a rapidez suficiente e de tomar as decisões certas.”in Jornal ‘Público’ em 24 de Agosto de 2018 (https://www.publico.pt/2018/08/24/culturaipsilon/entrevista/yuval-noah-harariso-se-percebermos-o-que-nos-faz-humanos-poderemos-continuar-a-ser-humanos-1841497).

Automação

No entanto, este argumento da imensa classe inútil tem muitos aspetos inaceitáveis. É sobre esta possibilidade que vou desenvolver os meus argumentos.

Você aceitaria passivamente essa classificação, e, que lhe oferecessem dinheiro para não fazer nada?

A ser afirmativa essa resposta significaria várias coisas:

  • Que você não teria competências suficientes para uma profissão no futuro;
  • Que você aceitaria o ócio como forma de vida;
  • Que você não seria suficientemente inteligente para se dedicar a outras matérias do seu interesse e ‘sonho’;
  • Que você estaria disponível para ser escravo do sistema que criou a sua condição de INÚTIL.

Sinceramente, não acredito que sejamos tão passivos, tão indiferentes e tão pouco inteligentes, que nada fizéssemos para derrubar o sistema que desenvolvesse esse processo.

Reconheço que a Humanidade é um conceito que o Homem criou e tudo deve fazer por o merecer, mas só o Ser Humano com Valor a pode representar.

Por outro lado, existem tantas questões sociais carentes de intervenção, que a empatia natural dos Seres Humanos se encarregaria de transformar em atividade solidária e intervenções sociais dignas, para melhorar significativamente a condição Humana.

A História já nos demonstrou que o Homem não aceita pacificamente a condição de ‘escravo’ ou de ‘inútil’.

Nós somos seres criativos por natureza e a inteligência só tem tendência para melhorar e aumentar, com as devidas condições educacionais. A criatividade e a inteligência Humana são fenómenos irreversíveis e inalienáveis. Essa é uma das razões porque venho defendendo o meu sistema de uma Sociedade Global de Valor Humano, ao ponto de o querer transformar num Paradigma para o Futuro da Sociedade.

Outra razão prende-se com o facto de os Valores Humanos já se encontrarem suficientemente difundidos pela Sociedade, para que esta nada fizesse para alterar esse estado de coisas indignas de Seres Humanos.

Mesmo em condição ditatorial a tendência seria que esta não se aguentasse muito tempo, sem que a Liberdade responsável, associada à Inteligência Coletiva, tomasse as devidas medidas de intervenção.

Temos todas as razões e mais algumas para desenvolver a Democracia e a tornar suficientemente ágil e interventora, para não permitir uma situação dessa natureza – transformar Pessoas em inúteis.

Eu compreendo que o mundo Empresarial e Corporativo se encontra numa tendência de querer conhecer os anseios, as emoções, os impulsos, os gostos e as personalidades de todos os potenciais consumidores com as ferramentas do Neuromarketing. E, mais grave que isso, que as Pessoas têm sido demasiado passivas e permissivas no desenvolvimento de tais metodologias. Mas considero que a nossa inteligência será bem mais flexível e arguta, para não se deixar ‘dominar’ nem manipular, ao ponto de tomarem conta da nossa consciência e capacidade de ação, individual e coletiva.

Este Mundo Global tem tantos e tão graves problemas por resolver que o mais provável será o processo descambar para outras tendências. Problemas nos sistemas Educacionais, Sociais, de Saúde, de Justiça e desenvolvimento Humano, são tão graves e tão carentes de melhores soluções, que acabarão por se sobrepor a qualquer tentativa de manipulação.

As nossas atitudes e comportamentos como Seres das novas Sociedades, sempre determinarão os caminhos do Futuro. Se nada fizermos para melhorar os sistemas de Ensino e de Escolaridade, por esse mundo fora, então será mais garantido que estaremos mais propensos a ser manipulados Política, Económica e Financeiramente. Sem Valores Humanos e sem uma Educação de qualidade estaremos vulneráveis a todos os ‘lobos’ e ‘animais selvagens’ que nos queiram ‘comer por parvos’ e manter medrosos do que aí virá.

Inteligência e Consciência Coletivas são duas dimensões Humanas que poderão, seguramente, contribuir para o nosso Futuro Coletivo mais saudável e criativo, em Liberdade e em Paz.

Tenho confiança nos Seres Humanos e no Futuro Coletivo que possam desenvolver, mas temos de ser mais interventores, mais inteligentes e ter uma consciência coletiva com Valores Humanos, para que a Democracia possa ter a dimensão que há tantos séculos o Homem ambiciona.

Valorizemo-nos TODOS e apetrechemo-nos com as ‘ferramentas’ tecnológicas e mentais estritamente necessárias para o nosso desenvolvimento como Seres Humanos de Valor a nível Global.

Não se deixem manipular nem ‘dominar’ por conceitos conducentes a Ditaduras, ou sistemas totalitários, porque esses não representarão o verdadeiro Ser Humano de Valor no Futuro.

Alfredo Sá Almeida                                                                           29 de Agosto de 2018

Será neste século que o Homem se transformará em Ser Humano?

Educação - Immanuel Kant

Quando falo na transformação do Homem em Ser Humano admito a existência de um ganho significativo de caráter Humanista, de Valor Humano e de respeito efetivo pela Biosfera e as alterações climáticas.

Vem isto a propósito de uma entrevista muito interessante dada for Yuval Noah Harari ao Jornal “Público” (https://www.publico.pt/2018/08/24/culturaipsilon/entrevista/yuval-noah-harariso-se-percebermos-o-que-nos-faz-humanos-poderemos-continuar-a-ser-humanos-1841497), intitulada “Só se percebermos o que nos faz humanos poderemos continuar a ser humanos”. Esta entrevista precede a publicação de mais um livro – também em Portugal (provavelmente, outro best-seller) – deste Autor: “21 Lições para o Século XXI” (2018).

A matéria que acrescenta nesta nova obra vem na sequência dos seus livros Sapiens — História Breve da Humanidade” (2014) e Homo Deus — História Breve do Futuro” (2017).

Estamos perante um desafio com a dimensão da Humanidade e do que de BOM o Ser Humano foi capaz de construir e desenvolver. No entanto, arrastamos o ‘peso’ dos erros cometidos de geração em geração até ao presente.

A vantagem que temos é o facto de o Futuro ainda ser um ‘Livro’ entreaberto que nos permitirá corrigir muitos desses erros e transformarmos a Sociedade atual, noutra mais Humanista. Isto se quisermos SER Humanos com Valor.

É triste verificarmos que desde a época de Immanuel Kant (1724-1804), o Homem pouco realizou em matéria de ensino e Educação que nos permitisse transformarmo-nos em Seres Humanos. Transformámo-nos em Seres tecnologicamente avançados (sobretudo no domínio bélico) mas Humanamente muito pobres.

Felizmente que existiram e existem algumas mentes brilhantes e iluminadas que nos ajudaram e ajudam a esclarecer e a abrir o nosso ‘mundo’, assim como, a diminuir o ‘peso’ na nossa consciência.

Yuval Harari é uma dessas mentes brilhantes que nos desperta para a dimensão do Ser Humano e da sua importância no Futuro. Algo que tento fazer desde 2012 sem muito sucesso. No entanto, considero que há muito trabalho a ser feito por TODOS para conseguirmos atingir patamares de Humanidade superiores.

Considero que os argumentos que este Autor apresenta, estão em linha com o que tenho vindo a escrever, e são muito importantes para a causa da Humanidade. Deste modo, vou apresentar excertos da sua entrevista com os quais concordo plenamente e que deverão ser objeto de muita reflexão e interiorização por TODOS nós. A Consciência Coletiva é uma dimensão importante a atingir.

  • “Nesta entrevista resume algumas das suas principais ideias e volta a deixar alertas: os computadores “altamente inteligentes poderão expulsar milhares de milhões de pessoas do mercado de trabalho, criando uma imensa ‘classe inútil’” e poderão “tornar possível a criação de ditaduras digitais”; o poder pode passar para as mãos de uma “pequena elite”; “estamos a entrar na era em que vai ser possível piratear humanos”. E um conselho: temos de nos conhecer melhor a nós próprios.”
  • “O judaísmo tem apenas 3000 anos, o cristianismo tem cerca de 2000 e ambos sofreram alterações profundas nos últimos séculos. O judaísmo e o cristianismo de hoje são muito diferentes do que eram há 2000 anos. Não são verdades eternas, são criações humanas. – Yuval Harari.
  • É particularmente importante lembrarmo-nos disso hoje, porque no início do século XXI há demasiados políticos empenhados em vender-nos fantasias nostálgicas sobre o passado, em vez de nos prepararem para o futuro.” – Yuval Harari.
  • “Infelizmente, fantasias nostálgicas como o nacionalismo e a religião não resolvem os grandes problemas do século XXI. Como é que vamos lidar com as mudanças climáticas? O que faremos quando a inteligência artificial empurrar milhões de pessoas para fora do mercado de trabalho? Como é que iremos usar o imenso novo poder na engenharia genética?” – Yuval Harari.
  • “Sim, os humanos pensam mais em grupo do que individualmente. Cerca de 99% das ideias que moldam a nossa visão do mundo foram criadas por outras pessoas. Além disso, os três grandes problemas que a humanidade enfrenta hoje são, na sua natureza, globais; por isso, só podemos lidar com eles através da cooperação global. Os indivíduos não os podem resolver, e nem sequer nações inteiras os podem resolver. Só a humanidade como um todo o pode fazer. Os três problemas a que me refiro são a guerra nuclear, as mudanças climáticas e a desestruturação tecnológica. O governo de Portugal não pode proteger Portugal da guerra nuclear ou do aquecimento global, a menos que coopere de forma eficaz com os governos da Alemanha, China, Brasil e vários outros países.” – Yuval Harari.
  • “A inteligência artificial poderá nunca vir a desenvolver consciência. Muitas pessoas tendem a confundir inteligência com consciência e a assumir que para estar ao mesmo nível de inteligência dos humanos os computadores terão de desenvolver consciência. Mas, na realidade, os computadores podem ultrapassar os humanos sem nunca ganharem consciência, porque a consciência e a inteligência são duas coisas diferentes. – Yuval Harari.
  • “O verdadeiro perigo da inteligência artificial não é que robots com consciência se revoltem contra a humanidade. O verdadeiro perigo é que a inteligência artificial dê poder a uma pequena elite humana enquanto retira poder e oprime a maior parte da humanidade. – Yuval Harari.
  • “No século XX, a democracia derrotou a ditadura, porque a democracia é mais eficaz a processar informação e a tomar decisões. O conflito entre a democracia e a ditadura não é apenas um conflito entre diferentes sistemas éticos, mas entre diferentes métodos de processar informação e tomar decisões. A democracia distribui informação e o poder de tomar decisões entre muitas pessoas e instituições, enquanto as ditaduras concentram a informação e o poder num lugar.” – Yuval Harari.
  • “Não nos conhecemos suficientemente bem e temos menos controlo do que pensamos sobre o que sentimos. Diz que “não estamos a fazer grande coisa para investigar e desenvolver a consciência humana” e que o livre-arbítrio é uma ilusão. Porque é que acha que desenvolvemos tão pouco o nosso potencial de inteligência? Como podemos conhecermo-nos melhor? E não servirá isso sobretudo para construirmos algoritmos mais perfeitos?” – Yuval Harari.
  • “Estamos a investigar e a desenvolver as capacidades humanas sobretudo tendo em conta as necessidades imediatas do sistema económico e político e não as nossas necessidades de longo prazo enquanto seres humanos. O meu patrão quer que eu responda a e-mails tão rapidamente quanto possível, mas está pouco interessado na minha capacidade para provar e apreciar a comida que estou a comer. Consequentemente, eu verifico os meus e-mails mesmo durante as refeições, enquanto perco a capacidade de prestar atenção às minhas próprias sensações. O sistema económico pressiona-me para expandir e diversificar o meu portfólio de investimento, mas dá-me zero incentivos para expandir e diversificar a minha compaixão.” – Yuval Harari.
  • “Aquilo em que nos devíamos focar, acima de tudo, era conhecermo-nos a nós próprios. Quem somos nós? Qual é o nosso verdadeiro potencial? Desde os tempos antigos que os sábios e os santos aconselham repetidamente as pessoas a “conhecerem-se a elas próprias”. E, no entanto, na época de Sócrates, Buda e Confúcio, não havia uma verdadeira concorrência. Se não nos empenhássemos em conhecermo-nos a nós próprios, continuávamos a ser uma caixa negra para o resto da humanidade. Hoje, pelo contrário, temos competição. Enquanto lê estas linhas, a Amazon, o Facebook, os serviços secretos russos e o Partido Comunista Chinês estão todos a tentar piratear-nos. – Yuval Harari.
  • “No futuro, combinando o nosso crescente conhecimento de biologia com a inteligência artificial, sistemas externos poderão conhecê-la melhor do que você se conhece a si mesma. E poderão controlar e manipular as pessoas com uma eficácia sem precedentes.” – Yuval Harari.
  • “Para salvar o sistema democrático, precisamos de conhecer as nossas fraquezas, os nossos medos e os nossos ódios e não permitir que eles se tornem uma arma na mão de trolls. Há muitas formas de nos conhecermos melhor. Eu pessoalmente pratico meditação Vipassana (https:/www.pt.dhamma.org/pt/) que se baseia na ideia de que o fluxo de pensamento está intimamente ligado às sensações do corpo.” – Yuval Harari.
  • “O que precisamos de perceber é que a mudança do mundo está a acelerar-se. Ninguém sabe como é que o mundo ou o mercado de trabalho vão ser em 2050, exceto que serão muito diferentes do que são hoje e estarão num fluxo constante.

Tradicionalmente, a vida dividia-se em duas partes principais: um período de aprendizagem seguido por um período de trabalho. Na primeira parte da vida, construímos uma identidade estável e adquirimos competências pessoais e profissionais; na segunda parte, apoiamo-nos na nossa identidade existente e nas nossas competências para navegar pelo mundo, ganhar a vida e contribuir para a sociedade. Em 2050, este modelo tradicional estará obsoleto e a única forma de os humanos se manterem relevantes será continuando a aprender ao longo das suas vidas, reinventando-se uma e outra vez.” – Yuval Harari.

  • “Não há uma linha clara que separe o emocional e o racional. As nossas emoções incorporam uma lógica evolutiva. As decisões mais importantes que tomamos na vida — onde viver, o que estudar, com quem casar — dependem dos nossos sentimentos mais do que de frios cálculos matemáticos. Consequentemente, para nos conhecermos melhor, temos de ter um conhecimento mais profundo das nossas emoções.” – Yuval Harari.
  • “Em eras anteriores, ninguém tinha um bom conhecimento do cérebro humano, ninguém conseguia reunir uma grande quantidade de dados sobre cada indivíduo e ninguém tinha a necessária capacidade informática para analisar tantos dados. Mas, em breve, os governos e as grandes empresas terão estas três coisas. E aí conseguirão manipular-nos com uma eficácia sem precedentes. Pessoas que acreditam que nunca serão manipuladas, porque as suas emoções manifestam um misterioso “livre arbítrio”, são as mais fáceis de manipular. Para resistir a estas manipulações temos de conhecer muito bem os nossos sentimentos, mas também temos de nos lembrar de que o que sentimos não é necessariamente a verdade.” – Yuval Harari.

Em minha opinião, os argumentos apresentados são de uma importância enorme para a construção da nossa Inteligência e Consciência Coletivas e podermos, como pretende o Autor, conhecermo-nos melhor individual e coletivamente.

Recomendo uma leitura atenta de toda a entrevista.

Alfredo Sá Almeida                                                                                  26 de Agosto de 2018