A Felicidade é um estado de espírito perigoso

A Felicidade

Vou transformar esta minha afirmação num texto satírico porque considero que é a melhor forma dos meus Leitores se aperceberem da importância da verdadeira Felicidade.

É natural e muito saudável que a mente e o corpo de qualquer Cidadão possa ser ‘inundada’ de Felicidade e alegria de viver. Mas temos de concordar que a nossa Sociedade não nos dá muitos incentivos nem razões para sermos Felizes, cada um à sua maneira.

Em Fevereiro do ano passado escrevi um texto: “Comprar Felicidade?” (https://saalmeida.wordpress.com/2018/02/17/comprar-felicidade/), por ter surgido um estudo ‘científico’ que afirmava – “Há uma quantia exata para a Felicidade, sugerem cientistas” (http://ptjornal.com/ha-uma-quantia-exata-que-traz-felicidade-sugerem-cientistas-240167).

Pois, já sabemos que a Felicidade se transformou numa ‘mercadoria’, tem um valor monetário e está disponível no ‘mercado’ para quem quiser comprar a dose que necessita. Para tal não temos de nos preocupar muito, nem possuir Valores Humanos, porque está ao alcance de uns ‘cobres’, na loja da esquina.

Não tem problema, afirmam as Pessoas, porque cada um tem a liberdade para interiorizar esta questão como quiser. A Felicidade é um preconceito, dizem uns, pois você pode adquiri-la como quiser e desfrutá-la a seu belo prazer, independentemente de quem estiver à sua volta.

‘Mas não será perigoso?’ Questionam alguns! A expressão dessa Felicidade pode trazer problemas! Não! Afirmam os ‘sabedores’ não tem problema nenhum, ‘quem estiver mal que se mude!’.

Bom, não será tanto assim, afinal pode produzir reflexos perigosos nos outros. Recentemente, surgiu um acontecimento grave, que transformaram em notícia, dando conta do seguinte: “Crime choca Itália: “Matei-o porque parecia feliz e não suporto a felicidade” (https://expresso.pt/internacional/2019-04-02-Crime-choca-Italia-Matei-o-porque-parecia-feliz-e-nao-suporto-a-felicidade#gs.4f1mem).

Perguntam os meus Leitores, ‘mas como é possível um maluco destes andar à solta?’. O problema (se é que algumas pessoas interiorizam este facto como um problema!) é que a Felicidade, sendo transformada em ‘coisa’, pode ser roubada por quem estiver afim disso. E haverá sempre uma justiça tolerante e de compaixão para o ‘infrator’. Vai ser julgado e terá direito a defesa paga pelo Estado. Certinho e limpinho. Está resolvida a questão.

Dirão alguns, ‘Valores Humanos na Educação/Ensino formal nem pensar que eu não quero o meu filho catequizado!’. ‘Eu é que educo o meu filho, a Escola só deverá ensinar as matérias necessárias para que ele possa trabalhar e ganhar dinheiro!’.

Pois é, enquanto pensarmos assim, não haverá Felicidade que nos valha. Esta foi a Felicidade que nos foi vendida por especialistas em marketing e vendas (do mais elevado gabarito). Não devemos admirar-nos, pois o mais provável é surgirem no Futuro casos semelhantes. NINGUÉM TEM O CUIDADO DE IMBUIR OS CIDADÃOS EM VALORES HUMANOS. Logo, cada um tem a Liberdade distorcida que quiser para agir a seu ‘belo’ prazer.

Eu estou muito triste com tudo isto, e, cada dia que passa observo, verifico, constato mais e mais casos GRAVÍSSIMOS de falta de Valores Humanos na grande maioria da Sociedade.

Tenho desenvolvido este tema do Valor Humano, de um modo sério, Humanista e com consciência crítica, há mais de cinco anos, para ser confrontado com esta triste realidade constantemente.

Eu continuo a ter o sonho de ver o tema dos Valores Humanos devidamente incluído no Ensino e Educação de TODAS as crianças e jovens por esse mundo fora, sem que esse facto provoque exaltações despropositadas e egoístas nas Pessoas.

O Futuro é uma ‘amálgama’, na mente de quem o ‘sente’, de Conhecimento, Ideal, Sonho e projeção temporal com o objetivo de tornar intrinsecamente melhor a Vida das Pessoas e sobretudo que possam ser mais Felizes e mais Conscientes que no presente.

Muitas Felicidades para TODOS os meus Leitores. Um grande abraço amigo para TODOS.

Alfredo Sá Almeida                                                                                  5 de Março de 2019

Quando e como acontecerá uma mudança de Paradigma?

Imaturidade

A Sociedade Global atual vive (ou sobrevive) entre um mundo de ficção virtual e uma realidade dramática. São dois mundos distintos que quase nunca se misturam. No entanto, quem vive no mundo da ficção virtual pode cair no da realidade dramática. Quem vive os dramas do dia a dia da sobrevivência tem imensa dificuldade de incorporar a ficção virtual, dados os ensinamentos que esse mundo dramático lhe acrescentou, não permitindo que se deixe iludir.

Realidade Virtual 1

Quer queiramos quer não, o nosso Mundo está muito doente devido às carências e falências, do muito que se torna necessário para recuperar o ‘doente’. No estado em que se encontra, das duas uma, ou morre da doença ou morrerá da cura.

Eu gostaria muito que este Mundo ‘doente’ aproveitasse todas as energias que lhe restam para se transformar numa realidade biosustentável e com Valor Humano. Sem rancor, mesquinhez, violência, arrogância e tantas outras demências, que os Líderes mundiais têm aversão a ‘destruir’, por as incorporarem e lhes dar jeito de se manterem no poder e terem ‘argumentos obtusos’ para dizerem aos ‘fiéis’: “Eu não lhes disse que aconteceria?”

Na verdade, acontecerá sempre do mesmo modo porque a Sociedade está estruturada e ‘instruída’ para que isso se verifique. Talvez, quando um pequeno Cidadão ‘inocente’ gritar à multidão que ‘O Rei vai nu!’ os restantes Cidadãos amedrontados queiram reconhecer que chegou a hora de mudar de Paradigma.

Os recentes acontecimentos climáticos extremos que se desenvolveram em Moçambique, colocaram a nu a fragilidade em que a Sociedade Global se encontra e se encontrará, com a previsibilidade de aumento da frequência destes fenómenos atmosféricos em TODO o Mundo.

 

É muito triste assistir aos dramas de tantos Seres Humanos, que por infelicidade já são pobres, se vêm privados do pouco que possuíam e não sabem a quem recorrer para sobreviver com maior dignidade. O mesmo se passou no Haiti aquando do terramoto que destruiu uma boa parte do País.

Infelizmente, existem por esse mundo fora mais realidades dramáticas do que ficções virtuais. E o mais triste de tudo é que nos Países que vivem uma ficção virtual permanente, não se dão conta que também poderão sofrer os mesmos dramas intensos que os mais pobres sofreram. Mas haverá sempre alguém com compaixão para os apoiar e recuperar.

Seria muito melhor que uma ‘esmagadora’ maioria de NÓS possuísse uma vida digna (considerada como normal) e solidária, capaz de, apoiando-se mutuamente, suprirem as falhas de inexistentes condições de socorro.

Agradeço que me acompanhem no seguinte raciocínio:

  • – Todos NÓS sabemos que para manter um Estado em alerta de guerra, ou de defesa contra invasões, é necessário gastar enorme quantidade de dinheiro, para manter o sistema ativo com o hardware renovado suficiente, para responder à tal pretensa invasão. Ou seja, o esforço necessário para manter tal poderio daria para resolver imensos problemas da Humanidade e apoiar muitas Nações a serem autossustentáveis. Mas não, não é assim que as coisas funcionam. Quem possuiu esses sistemas de prontidão bem mantidos, não abdica de os possuir, para não se sentir ‘despido’ e nu. É a razão do PODER. Eu posso, logo não abdico do poder. É esta a lógica do sistema que TODOS NÓS temos vindo a alimentar, porque foi assim que nos ensinaram e os preconceitos têm muito peso na Sociedade Global.
  • – Nem pensar em alterar o paradigma que nos trouxe até aqui porque isso daria ao ‘inimigo’ a oportunidade de nos ‘invadir’ e se apoderar de NÓS. Ou seja, não é uma lógica de interajuda e de solidariedade, mas sim de PODER.
  • – Por outro lado, esses pseudo ‘inimigos’ não são capazes de se colocar de acordo e de construírem uma Consciência Coletiva para criarem as bases de um novo Paradigma onde TODOS pudéssemos estar representados. Porque se o fizerem em cooperação, perderiam o PODER da vantagem. Logo, está fora de questão. No caso de haver uma nova Guerra Mundial, o paradigma será alterado quer queiramos quer não. Só não saberemos que tipo de paradigma será instituído e se será melhor que o anterior.
  • – Se nos mantivermos neste estado letárgico, de nada fazer que altere o ‘equilíbrio de forças’, as mudanças ocorrerão forçosamente, quer queiramos quer não, ‘naturalmente’ para pior e para a grande maioria de NÓS, porque não somos NÓS a razão de preocupação. A razão será sempre a do PODER. E no PODER não está ninguém que nos possa representar, a não ser que você escolha qual dos lados pretende ficar.
  • Se é possível gastar tanto dinheiro e investir tanta sabedoria para construir uma ‘máquina de guerra’, então deveríamos saber desviar esse ímpeto para causas mais nobres para a Humanidade.

Perante este tipo de raciocínio considero que existe TANTO a fazer por uma nova Ordem Mundial, onde os Seres Humanos possam ser sustentáveis na nossa Biosfera, vivendo em harmonia com a Natureza mantendo uma criatividade e inovação sãs, para uma NOVA SOCIEDADE GLOBAL, onde não haverá tempo para violências, nem arrogâncias, nem rancor, nem mesquinhez e tantas outras demências. Haverá sim lugar para os Valores Humanos, para a capacidade de construir uma Inteligência e Consciência Coletivas conducentes a um Futuro Coletivo em sustentabilidade com a Biosfera.

Todos aqueles que não pretenderem manter uma postura Inteligente e Consciente, preferindo todas as demências que mencionei, haverá quem se ocupe de lhes ‘acalmar’ a violência, porque na NOSSA BIOSFERA não haverá lugar para essa adrenalina excessiva, nem para vícios doentios e destruidores de mentes Conscientes e com Futuro. Os excessos de adrenalina bem como os vícios tratam-se com atos médicos e aprendizagens de inserção social.

Aliás, verifico com muita tristeza que a violência se está a enraizar em muitos Seres, que não posso chamar de Humanos nem de Cidadãos, por não possuírem a capacidade de argumentação nem persuasão para conviver em Sociedade. E, mais grave ainda, existe uma tolerância excessiva para atos violentos e de caráter selvagem. NÃO SERÃO ADMISSÍVEIS ATOS DE VIOLÊNCIA VERBAL OU FÍSICA ENTRE HUMANOS NO PARADIGMA QUE ESTOU A DESENVOLVER.

Outra questão que verifico, com muita tristeza, é o da Educação e do Ensino (ou a falta deles) não estarem orientados para Valores Humanos nem para uma Cidadania de sã convivência.

Aqui chegados, meus caros Leitores, temos de DECIDIR o que pretendemos no NOSSO Futuro, e, em que tipo de Paradigma pretendemos VIVER, se no atual (e salve-se quem puder) ou num NOVO PARADIGMA de Valor Humano.

Eu já decidi qual o Paradigma que pretendo para o Futuro da Sociedade onde vivo. E você já decidiu?

A Guerra

Alfredo Sá Almeida                                                                  24 de Março de 2019

Que solução para o futuro do Homem?

Solução para o Homem 5

Parece estranha esta pergunta para quem domina TUDO e TODOS e que se julga um DEUS! (Yuval Noah Harari) Mas corresponde a uma triste realidade – ‘O Homem não se mostrou capaz de encontrar soluções sustentáveis e de Futuro para a sua vida nesta Biosfera!’.

Mas uma coisa é certa, só o próprio Homem tem a capacidade de encontrar a solução para os problemas que criou, mesmo julgando que era inteligente suficiente para os resolver. A não ser que prefiram ficar à espera de uns aliens  que nos venham impor uma solução!

Tantos e tão bons Escritores, publicando livros que são best-sellers, lidos por milhões de Pessoas em todo o mundo (como Yuval Noah Harari, Elizabeth Kolbert ou Al Gore), capazes de fazer uma análise exaustiva, científica, correta e inspiradora dos comportamentos Humanos nesta Sociedade Globalizada, e, não assistimos a uma resposta cabal, coletiva e duradoura para melhorar o Futuro do Homem com o pensamento no bem-comum!

Muitos de nós sabemos que os comportamentos Humanos nesta nossa Biosfera, não são sustentáveis e que a continuarmos assim, caminhamos para ‘A Sexta Extinção’ (Elizabeth Kolbert)!

Mas na realidade continua TUDO na mesma! Caminhamos para a nossa destruição como Seres Humanos e arrastaremos as outras espécies connosco!

Solução para o Homem 1

Não meus Amigos não se trata da sustentabilidade financeira mundial, ou, se o BREXIT com acordo ou sem acordo com a UE produzirá instabilidade dos mercados! Ou se a Venezuela e a Coreia do Norte deixarão de ser ditaduras! Ou se vamos continuar a consumir petróleo como maior fonte de energia!

NÃO, NÃO! … Somos NÓS que temos que encontrar uma solução viável para sermos Seres Humanos e não predadores insustentáveis! E, se não for a BEM (com o consenso da maioria) tem de ser por IMPOSIÇÃO dessa solução viável! Ou pretendem ter na vossa consciência a eliminação da face da Terra da grande maioria da diversidade de espécies e de NÓS próprios?

  • Será que não seremos capazes de encontrar os caminhos do BEM-COMUM para solucionarmos os nossos problemas?
  • Será que vamos continuar a defender que o Dinheiro, e quem o domina, é a entidade toda poderosa a que nos devemos subjugar para encontrarmos a melhor solução?
  • Será o VALOR HUMANO singular e coletivo a dimensão adequada para ser a plataforma de entendimento entre os Homens?
  • Vamos lá, meus Amigos, temos tantas opções que são viáveis para a grande maioria de NÓS e ficamos estupefactos e indiferentes perante tão dura realidade?

Se assim for, só vislumbro um grande problema que temos que resolver! Estamos todos VICIADOS neste modelo de Sociedade, que aconteça o que acontecer manteremos o nosso VÍCIO!

Solução para o Homem 3

Se o problema é o nosso VÍCIO, então existem soluções viáveis para o tratar! Só que não é de livre vontade que seremos ‘tratados’ (porque já demonstrámos que não temos força de vontade para o fazer)!

Bom, talvez a melhor solução seja divertirmo-nos muito e deixarmo-nos ‘anestesiar’ para termos uma morte coletiva ‘sem dor’!

Divirtam

  • Teremos NÓS a Inteligência Coletiva suficiente para mantermos os Valores Humanos de um Ser e sabermos transformarmo-nos em sustentáveis nesta Biosfera?

Bom, talvez prefiram abandonar este planeta e viajar para outro melhor! Os que cá ficarem que se ‘danem’!

Este é o meu ‘desabafo’, na tentativa (mais uma) de transmitir a minha modesta solução para os problemas da Humanidade. Continuo a acreditar que a SOLUÇÃO do VALOR HUMANO, como a tenho desenvolvido, é uma solução viável para os Seres Humanos responsáveis e conscientes do drama que criámos e que estamos inseridos.

Solução para o Homem 2

Alfredo Sá Almeida                                                                                  12 de Março de 2019

O Valor Humano ao Poder!

o Significado do poder

Todos nós temos Poder em maior ou menor grau durante a nossa vida. Esse Poder a nível individual representa a capacidade, ou a faculdade, para realizar algo ou influenciar alguém. É uma representação da Liberdade individual. Sob o ponto de vista coletivo (uma região, uma comunidade, uma empresa, um País, etc.) o Poder passa a ter outro âmbito pois representa a autoridade, a soberania, a influência e o domínio sobre uma área, um grupo de Pessoas ou uma jurisdição.

Em qualquer dos casos, as questões problemáticas prendem-se sempre com o exercício do Poder:

  1. Quem o exerce;
  2. Como o exerce;
  3. Porque o exerce;
  4. A que Futuro conduz;

Qualquer Poder está sujeito ao julgamento de todos os envolvidos nessa dimensão, seja pelos resultados do exercício, seja pelo modo como é exercido.

É nesta dimensão que o Valor Humano faz toda a diferença. Quanto maior o Valor da Pessoa (ou Pessoas) que exerce(m) o Poder, melhores perspetivas existirão para se chegar aos resultados prometidos perante o coletivo. Mas não é garantia de sucesso. Este estará dependente das interações e das sinergias construídas pelos apoiantes e pelos opositores desse Poder, ao mesmo tempo do Valor Humano da(s) personalidade(s) que o vai(ão) exercer. Um Poder abrangente requer um Valor Humano multifacetado com uma dimensão extra em liderança, conhecimento e, em simultâneo, um carisma genuíno.

Tudo é mais complexo nas relações de Poder porque se está a lidar com a multidiversidade Humana e processual, com todas as implicações que poderão existir.

Cada um de nós passa a ter uma responsabilidade acrescida no acompanhamento de todo o processo. Pois seremos, ou não, a garantia da coerência de como o Poder é exercido e a que Futuro conduz.

Esta multidimensionalidade tem de estar incluída no Valor Humano das Pessoas que exercem o Poder, caso contrário haverá uma tendência para aumentarem os fenómenos de caos e desorientação de todos os intervenientes, conduzindo à mudança forçada do Poder.

Em resumo, o Valor Humano com capacidade de liderança, multifacetado, multidimensional e carismático é indispensável para um BOM exercício do Poder. Seria bom que todos nós ganhássemos essa consciência para podermos contribuir ativamente para um Futuro Coletivo digno de Seres Humanos.

Alfredo Sá Almeida                                                                           22 de Outubro de 2018

Do relativismo ético ao universalismo de Valores Humanos

Consciência Coletiva

O debate ideológico entre Universalismo e Relativismo não é recente mas tem vindo a avolumar-se em relação aos Direitos Humanos com vantagens muito positivas para a Sociedade e o Mundo Global. Este debate alargou-se da Filosofia à Sociologia, ao Direito e às questões Culturais (Multiculturalidade). É assim que deve ser. Existe um provérbio antigo que afirma “Da discussão nasce a luz”, ao qual eu costumo acrescentar “Da discussão organizada nasce a luz”.

Infelizmente o Homem não tem produzido muita Luz quando desenvolveu a globalização. Mas já lá vamos a este assunto. Primeiro gostaria de transmitir aos meus Leitores a razão deste tema.

O meu amigo Joaquim Serra fez um comentário muito pertinente, a propósito do meu último texto Sobre a dimensão da confiança em Valor Humano, que despertou o meu interesse e me motivou a escrever sobre o tema que vos apresento agora. Escreveu: “O caso é que o Homem, e as sociedades humanas, enveredaram por uma postura de relativismo ético onde a moral se estabelece conforme e consoante a conveniência, em carácter de exceção e não de norma.

Por ser esse o caso, a confiabilidade, seja no que for, deixa de ter cabimento, sequer reconhecimento.

Baseou-se a vida numa estratégia fundamentada na Teoria do Jogo, em vez de um relativismo metaético de busca de uma moral mais inclusiva pela qual pudéssemos viver em comunhão e harmonia, de modo solidário.” – Joaquim Serra.

A meu ver nasceu uma Luz. É uma evidência que poderá ajudar a despertar muitas mentes e a motivar muitos ‘eruditos’ a começar a debater o tema que vos introduzo “Do relativismo ético ao universalismo de Valores Humanos”.

Mas primeiro gostaria de definir alguns conceitos para facilitar a compreensão dos Leitores. Assim:


Relativismo ético – O “Relativismo Ético” é uma das posturas éticas mais generalizadas, tanto a nível acadêmico como no cotidiano de todos nós. Traduz-se basicamente na consideração de que o meu juízo moral não é superior ao dos outros e como tal não o devo impor. Todos os juízos morais são assim equivalentes.
Embora esta perspetiva seja legitimada pela diversidade quase infinita dos juízos morais e práticas culturais, alguns autores levantam contudo reservas, pois tal perspetiva, em última análise, impede qualquer tipo de intervenção em situações de grupos ou de sociedades que realizam práticas, por exemplo tradicionais, verdadeiramente chocantes aos olhos dos outros, ou seja, o relativismo ético é a postura que cada pessoa toma em determinada situação com base na sua ética, cada pessoa possui um ponto de vista diferente, sendo assim a ética de cada pessoa relativa. ” – Wikipédia.

Metaética é o ramo da ética que estuda a natureza das propriedades, afirmações, julgamentos e atitudes éticas. É um dos quatro ramos tradicionais da ética (os outros são ética descritiva, ética normativa e ética aplicada).
A ética normativa, por exemplo, pergunta “o que devo fazer?”, enquanto a metaética pergunta “o que é o bem?” e “como posso diferenciar o certo do errado?”, tentando entender a natureza das propriedades e julgamentos éticos.
Alguns teóricos defendem que é necessária alguma forma de moralidade metafísica para que possamos julgar a moral existente; outros argumentam que é necessário um estudo prévio das diferentes formas de moral vigente para, então, ser possível se formular uma moral metafísica.” – Wikipédia.

 “Universalismo – Quando se diz que algo é universal, se refere a uma visão que expressa um facto existente e que está sempre presente. Isto faz parte de um tipo de pensamento chamado de universalismo e é um paradigma da organização de todas as coisas, bem como de sua abordagem e explicação. Por isso, o universalismo não se trata de uma ideologia específica, não é uma ideologia própria, mas sim uma maneira de ver as coisas, de receber e interpretar a realidade circundante.
Em diversas áreas da vida cotidiana, podem ser vislumbradas as marcas do universalismo, como no caso na política. Neste caso, uma conceção universal política compreende uma ideologia relacionada à unificação dos poderes e de todas as instituições do mundo em um único modo de organização. Por exemplo, os grandes impérios com seu poder durante a Idade Média, o reinado dos impérios bizantinos ou do sacro império romano-germânico e dos califados muçulmanos da ex Constantinopla. Não se deve confundir a relação “universalismo político” com “globalização”, já que no caso desta última se fusionam diferentes elementos de várias comunidades ou coletividades para serem transformadas de maneira unificada, porém reestruturada.
Por último, é importante reconhecer que o oposto a uma visão universal é uma visão nominal, ou também chamada de particular, que estabelece uma maneira individualista de abordar e interpretar a realidade. Assim mesmo, o universalismo é uma corrente de pensamento que não nega a existência das formas nominais, mas nega que sejam verdadeiras.” (https://conceitos.com/universalismo/).

Universalismo moral (também chamado de objetivismo moral ou moralidade universal) é a posição metaética de que algum sistema ético aplica-se universalmente, ou seja, para “todos os indivíduos em situação semelhante”, independentemente de raça, cultura, sexo, religião, nacionalidade, sexualidade ou qualquer outro distintivo. O universalismo moral se opõe ao niilismo moral e ao relativismo moral. No entanto, nem todas as formas de universalismo moral são absolutas, nem são necessariamente de valor monista; muitas formas de universalismo, como o utilitarismo, são não absolutistas, e algumas outras formas, tais como a de Isaiah Berlin, podem ser de valor pluralista.” – Wikipédia.

O relativismo cultural é um processo de observar sistemas culturais sem uma visão etnocêntrica em relação à sociedade do pesquisado. Ou sejaː realizar a observação sem usar nenhum meio ou parâmetro preconcebido pela cultura ocidental e, assim, realizar um estudo e/ou observação do sistema cultural em questão sem nenhum preconceito. E, com isso, realizar a avaliação sem privilegiar os valores de um só ponto de vista, e estruturar o corpo social a partir de suas próprias características. As culturas estudadas adquirem, assim, seus próprios sistemas de valores e sua própria integridade cultural.
O relativismo cultural parte do pressuposto de que cada cultura se expressa de forma diferente. Dessa forma, trata-se de pregar que a atividade humana individual deve ser interpretada dentro do contexto de sua própria cultura. Esse princípio foi estabelecido como axiomático na pesquisa de Franz Boas, nas primeiras décadas do século XX e, mais tarde, popularizado pelos seus alunos. Conforme um dos alunos de Boas, Melville Herskovits:
“O princípio do relativismo cultural decorre de um vasto conjunto de factos, obtidos ao se aplicar nos estudos etnológicos as técnicas que nos permitiram penetrar nos sistemas de valores subjacentes às diferentes sociedades.” – Wikipédia.

Como os meus Leitores sabem, tenho vindo a defender a existência de uma Declaração Universal dos Valores Humanos (Declaração Universal de Valores Humanos) e uma Educação Universalista em Valores Humanos como forma de produzir um novo Paradigma para o Futuro da Humanidade (Human Value – A new paradigm of future society ©). Mas gostaria que o debate se avolumasse e se globalizasse para nascer Luz.

Neste mundo globalizado mas muito pouco universalista, dominam os interesses de muita ordem mas não sobre as matérias naturalmente relevantes para a construção de uma Sociedade Universal com Valor.

Desenvolveu-se a globalização do sistema financeiro, das bolsas de valores, das offshore, do dinheiro e das comunicações, do comércio e dos transportes, etc. Falta o essencial, a Universalidade dos Valores Humanos!

Por outro lado, temos uma vivência multicultural superficial com pouco debate intercultural. As Pessoas não utilizam a sua empatia para compreender com maior profundidade a cultura do outro e poderem encontrar com mais facilidade os pontos interculturais comuns que permitiriam estabelecer um Universalismo dos Valores Humanos. Esquecem-se do relativismo cultural para tentar impor conceitos e metodologias que desvirtuam permanentemente essas culturas, sem acrescentar Universalidade de Valores Humanos.

A Sociedade das Nações conseguiu cumprir e aprofundar a Declaração Universal dos Direitos Humanos à escala Global. Faz-se urgente cumprir e aprofundar uma Declaração Universal dos Valores Humanos para podermos estruturar condignamente o relacionamento intercultural e melhorar significativamente o Valor do Homem neste mundo globalizado.

“O universalismo, por sua vez, decorre “da dignidade humana, na qualidade de valor intrínseco à condição humana. Defende-se, nesta perspetiva, o mínimo ético irredutível – ainda que se possa discutir o alcance desse ‘mínimo ético’ e dos direitos nele compreendidos”.[2] Nessa perspetiva, pode-se assentar que o universalismo está mais preocupado com o indivíduo, suas liberdade e autonomia, enquanto o relativismo tem como premissa maior o coletivismo. [3]” – Emanuel de Melo Ferreira (https://constituicaoedemocracia.com/2013/03/22/o-debate-ideologico-entre-universalismo-e-relativismo-dos-direitos-humanos/)

Quando considero a importância de cumprir e aprofundar a Universalidade dos Valores Humanos é porque estou confiante que a sua difusão e interiorização generalizada, numa Educação inclusiva e de qualidade, evitaria as tendências das ‘culturas únicas’ e ampliaria espaços de articulação para a diferença. Por outro lado, ajudar-nos-ia a Ser Humanos no verdadeiro sentido.

Recomendo uma leitura atenta de uma entrevista realizada por Katharina von Ruckteschell-Katte (diretora do Goethe-Institut na América do Sul) ao filósofo e historiador Camaronês Achille Mbembe, publicada na Revista Prosa Verso e Arte, com o título “Por que julgamos que a diferença seja um problema?” (https://www.revistaprosaversoearte.com/por-que-julgamos-que-a-diferenca-seja-um-problema-achille-mbembe/). Nesta entrevista fala sobre xenofobia, nacionalismo, o lugar do estrangeiro, os perigos de “culturas únicas” e espaços de articulação para a diferença. Realço um excerto que me parece importante para exemplificar sobre o tema do meu texto: “Não creio que o desejo de diferença possa algum dia ser erradicado. É provavelmente uma estrutura profunda do que significa ser um ser humano. Mas aspirar à singularidade não é o mesmo que cultivar a diferença. Não é o mesmo que instituir a diferença como algo que é absoluto, algo em cujo nome se queira matar ou morrer. O mundo em que vivemos hoje é um mundo no qual você encontrará muita gente que prefere morrer ou matar em nome da diferença em vez de dispor-se a arriscar sua existência em nome do que é comum a todos. Estamos em perigo de perder completamente de vista o que temos em comum. Nem mesmo a ameaça real da extinção ecológica tem sido capaz de nos despertar de nosso sono dogmático da diferença.” – Achille Mbembe.

A meu ver, é sobre ‘isto’ que acabei de expor, que os Valores Humanos devidamente transmitidos, praticados e acompanhados Universalmente pelo exemplo dos Tutores e Educadores, farão toda a diferença para uma melhoria significativa da Sociedade Global.

Deste modo, a transformação seria profunda e muito positiva para o Homem que tem a pretensão de conquistar o Universo.

Relembrando as palavras do meu amigo Joaquim Serra, quando afirma: “Baseou-se a vida numa estratégia fundamentada na Teoria do Jogo, em vez de um relativismo metaético de busca de uma moral mais inclusiva pela qual pudéssemos viver em comunhão e harmonia, de modo solidário.”.

Esta é a Luz que a Humanidade necessita para poder viver em Paz e com sabedoria.

Alfredo Sá Almeida                                                                                  16 de Outubro de 2018

Sobre a dimensão da Confiança em Valor Humano

As crises, neste mundo globalizado, têm quase tudo a ver com as falhas críticas que se verificam na Confiança entre as Pessoas, Processos e Sistemas. A nossa relação com Instituições, Governos, Empresas e Organizações tem essencialmente uma dimensão de Confiança. Para complicar (simplificar em abstrato), o Homem construiu um sistema de valor monetário que não representa o Valor Humano.

A Confiança como a vida tem um tempo associado, não é eterna. Possui uma dinâmica. Quanto maior o intervalo de tempo e o grau associado à relação de Confiança maior é a sua dimensão.

Confiança - Camões

Quando uma Pessoa tem Valor torna-se mais fácil confiarmos nos seus propósitos porque existe um padrão de Valor, uma previsibilidade de comportamentos e atitudes, um modo de pensamento que nos permite acreditar que Valor e Confiança possuem um elo forte entre eles.

Qualquer que seja a confiança em algo ou alguém, no momento em que é estabelecida essa relação ela tem uma projeção no futuro. Basta um encurtamento nessa projeção estabelecida para que a relação de confiança seja abalada.

Toda a relação de Confiança possuiu um grau, uma classificação, uma valorização que é assumida naturalmente pelas partes. Esta pode ser mais ou menos implícita ou explícita dependendo do modelo de relação em causa. Os elos virtuais que se estabelecem estão associados a padrões mentais, ao conhecimento, às emoções e à espiritualidade. Como podemos vislumbrar esses elos acabarão formando uma rede com maior ou menor resistência às vicissitudes da vida, mas que poderão ser completamente desfeitos pela traição nos propósitos. Esta é a razão pela qual a ética associada a um relacionamento é tão importante, para não dizer fundamental.

Quanto maior o grau de Confiança que depositamos mais e maiores são as características de Valor associadas ao relacionamento.

A filósofa Onora O’Neill define confiança de forma peculiar: “O conceito fundamental não é confiança, mas confiabilidade. Acredito que temos um problema cultural em abordar a questão da confiabilidade. Isso parece-me um erro, porque a única confiança que vale a pena ter é a confiança bem depositada — e confiança bem depositada é confiança depositada numa pessoa ou instituição confiáveis. Por isso a confiabilidade é a categoria principal. Entre parêntesis: pode haver alguma dificuldade em traduzir “trustworthiness” ou “trustworthy” para línguas românicas — o mais importante é que se concentre na característica da pessoa, ou instituição, em quem é depositada confiança, em vez de se concentrar na atitude subjectiva da pessoa que responde a isso.

Basicamente, o meu pensamento é que precisamos de nos concentrar na questão da confiabilidade e menos na questão da confiança.” (https://acervo.publico.pt/sociedade/noticia/o-conceito-fundamental-nao-e-a-confianca-mas-a-confiabilidade-1725088)

“Política e marketing, onde a questão da reputação de um negócio é fulcral, mantêm a indústria das sondagens e de estudos de mercado muito ocupada. As pessoas perguntam se têm confiança em X ou Y. Mas seria muito mais útil saber quais são confiáveis e quais não são.” – Onora O’Neill

Um dos aspetos que Onora O’Neill sublinha é que devemos concretizar a questão generalista de “confiar” em alguém e perguntar “para fazer o quê?” — dá o exemplo da pergunta “Confia no professor do seu filho?” à qual se deve responder “Para fazer o quê?”’ – Joana Gorjão Henriques – na entrevista que realizou a Onora O’Neill e publicou no Jornal Público em 05/03/2016.

“A confiança é o elo de aço que consolida todas as relações significativas, nas quais as pessoas se presenteiam com as melhores amizades, amores ou relacionamentos, sempre partindo da integridade e da coerência. Poucas dimensões psicológicas são tão vitais, tão nutritivas ao mesmo tempo complexas quanto nos permitirmos confiar em alguém, quanto depositar parte de nós mesmos em outra pessoa.” (https://amenteemaravilhosa.com.br/confianca-cola-da-vida/)

Seria muito interessante, neste mundo globalizado, poder avaliar o nível ou o grau de confiança (com metodologias confiáveis) que as Pessoas depositam noutras Pessoas, nas Instituições, nos Governos, nas Empresas e nas Organizações. Tenho muitas dúvidas de quem ganharia, se a Confiança ou a Desconfiança! Este(s) resultado(s) seria(m) da maior importância para uma melhoria significativa nos relacionamentos que temos de realizar ao longo da vida, nas mais variadas circunstâncias. Mas infelizmente quem tem poder de decisão tem outras prioridades e outras opções menos abrangentes. Deste modo, caminhamos assim com maior probabilidade para uma maior Desconfiança entre as partes envolvidas.

Os níveis de satisfação de Consumidores, Clientes, Utentes de um Serviço, etc. são importantes conhecer, mas representam apenas uma pequena dimensão do fenómeno da Confiança. O mesmo se passa com as sondagens de opinião ou os estudos de mercado. Falta a capacidade de integrar todos esses Estudos de forma coerente para produzir o Valor da Confiança no relacionamento Humano na sua multi dimensão Pessoal, Profissional, Política e Institucional.

“É a confiança mútua, mais que o interesse mútuo, o que mantém os grupos humanos unidos.” – H. L. Mencken.

“Você deve confiar e acreditar nas pessoas, caso contrário a vida se torna impossível.” – Anton Chekhov.

Esta é, a meu ver, a dimensão que o Homem ainda não atribui um elevado grau de importância. Fosse esse o caso e o Valor Humano ganharia enormemente.

Deixo-vos com uma questão importante: “Pode a Biosfera terrestre ter confiança no Homem?”.

Alfredo Sá Almeida                                                                                  12 de Outubro de 2018

As ‘teias’ do Poder

Teia dos poderes

O Homem ao longo do seu processo evolutivo, e de afirmação de espécie dominante, construiu muitas ‘teias’ capazes aprisionar e imobilizar todos aqueles que voam livre e despreocupadamente.

Essas ‘teias’ foram tomando volume e dimensão, ao ponto de constituírem um Poder ao qual é difícil escapar.

Não vou falar de todas as tramas que foram sendo tecidas, mas vou mencionar apenas algumas com muito significado. Assim, algumas das mais impactantes:

  1. A indústria da Guerra e do armamento (nas componentes terra, mar, ar, espaço e ciberespaço);
  2. O sistema financeiro global internacional e a sua sofisticação;
  3. O tráfico humano, de armas e substâncias estupefacientes;
  4. A World Wide Web na sua dimensão mais negra.

Todas estas ‘teias’ se avolumaram com a ‘explosão’ tecnológica, mas nasceram pela vontade e necessidade em dominar, e cresceram na mente de Pessoas interessadas, inteligentes, destemidas e capazes de subjugar sistemas anexos.

Todas elas foram tecidas pelo interesse no Poder e na capacidade de ganhos significativos em dinheiro. O objetivo, sempre foi o de obter um BOM lucro num curto intervalo de tempo. O bem-comum nestes sistemas de Poder está desprovido de significado, pois tudo é feito para garantir que as ‘teias’ se perpetuem e se desenvolvam.

Se adicionarmos outras tramas formais e/ou informais, desprovidas do sentido do bem-comum, e do desenvolvimento humano, verificamos que o espaço que sobra é pouco para o muito que a Humanidade necessita para o seu desenvolvimento. Além da falta desse espaço que a Humanidade carece, a influência que esses poderes exercem é de tal forma grande e capaz de anular toda e qualquer iniciativa que pretenda inibi-los ou diminuí-los (em resumo, destruí-los).

Os meus caros Leitores perguntarão – ‘Então onde e como fica a nossa Liberdade de atuação, construção de novas ideias e desenvolvimento Humano, neste Planeta?’Fica precisamente nos intervalos ou interstícios ‘permitidos’ por essas ‘teias’ de Poder, sem capacidade de se tornar uma ‘TEIA’ de BEM-COMUM e ter, e ser, um polo de verdadeiro desenvolvimento Humano. Tal como no nosso Universo, a força gravitacional dos maiores atrairá os mais pequenos, para que estes orbitem ou se esmaguem.

A mente Humana tem uma capacidade enorme de criar, construir e tecer as melhores e mais belas ‘teias’ com Inteligência e Consciência Coletivas, onde o Bem-comum seja uma constante dinâmica e virtuosa. Mas agora que orbitamos as já existentes, saberemos desligar-nos e desenvolver um sistema que não tenha ‘teias’ que nos aprisionem ou asfixiem? (numa teia onde uma aranha domina, quando uma mosca fica aprisionada e se movimenta muito, mais imobilizada fica e mais rápido morre).

O nosso Futuro Coletivo está dependente de muitos e intrincados fatores. A mente Humana é a entidade capaz de nos conduzir para o melhor que a Humanidade tem para oferecer nesta nossa Biosfera. A Educação e os sistemas Educativos deveriam estar orientados para preparar e fortificar as MENTES EXISTENTES EM MENTES SAUDÁVEIS E DESENVOLVIDAS. Saibamos usá-la para o Bem-comum.

O meu caro Leitor já reparou quão fácil é, para um Ser Humano, derrubar uma teia de aranha? Então a nossa mente também será capaz de derrubar outras ‘teias’, aquelas que nos condicionam e nos enfraquecem como espécie Inteligente e construtora de Futuros.

Paz3

Alfredo Sá Almeida                                                                                  18 de Setembro de 2018

Você permitirá que o(a) classifiquem como um inútil?

Tenho de concordar com Yuval Harari quando afirma que uma nova e imensa classe de Pessoas surgirá, a dos INÚTEIS, se o Homem continuar a desenvolver as tecnologias com a obsessão pelo poder e a ganância pelo dinheiro, como temos observado até hoje. Este Escritor deixa-nos perplexos com a análise que faz da Humanidade. A previsão que faz do Futuro é assustadora. O facto de ser Professor de História dá-lhe argumentos plausíveis.

Numa entrevista recente Yuval Harari afirma: “Computadores altamente inteligentes poderão expulsar milhares de milhões de pessoas do mercado de trabalho, criando uma imensa “classe inútil”. Ao mesmo tempo, poderão tornar possível a criação de ditaduras digitais. No século XX, a democracia derrotou a ditadura, porque a democracia é mais eficaz a processar informação e a tomar decisões. O conflito entre a democracia e a ditadura não é apenas um conflito entre diferentes sistemas éticos, mas entre diferentes métodos de processar informação e tomar decisões. A democracia distribui informação e o poder de tomar decisões entre muitas pessoas e instituições, enquanto as ditaduras concentram a informação e o poder num lugar. Dada a tecnologia existente no século XX, era pouco eficaz concentrar informação e poder num único lugar. Ninguém tinha a capacidade de processar toda a informação com a rapidez suficiente e de tomar as decisões certas.”in Jornal ‘Público’ em 24 de Agosto de 2018 (https://www.publico.pt/2018/08/24/culturaipsilon/entrevista/yuval-noah-harariso-se-percebermos-o-que-nos-faz-humanos-poderemos-continuar-a-ser-humanos-1841497).

Automação

No entanto, este argumento da imensa classe inútil tem muitos aspetos inaceitáveis. É sobre esta possibilidade que vou desenvolver os meus argumentos.

Você aceitaria passivamente essa classificação, e, que lhe oferecessem dinheiro para não fazer nada?

A ser afirmativa essa resposta significaria várias coisas:

  • Que você não teria competências suficientes para uma profissão no futuro;
  • Que você aceitaria o ócio como forma de vida;
  • Que você não seria suficientemente inteligente para se dedicar a outras matérias do seu interesse e ‘sonho’;
  • Que você estaria disponível para ser escravo do sistema que criou a sua condição de INÚTIL.

Sinceramente, não acredito que sejamos tão passivos, tão indiferentes e tão pouco inteligentes, que nada fizéssemos para derrubar o sistema que desenvolvesse esse processo.

Reconheço que a Humanidade é um conceito que o Homem criou e tudo deve fazer por o merecer, mas só o Ser Humano com Valor a pode representar.

Por outro lado, existem tantas questões sociais carentes de intervenção, que a empatia natural dos Seres Humanos se encarregaria de transformar em atividade solidária e intervenções sociais dignas, para melhorar significativamente a condição Humana.

A História já nos demonstrou que o Homem não aceita pacificamente a condição de ‘escravo’ ou de ‘inútil’.

Nós somos seres criativos por natureza e a inteligência só tem tendência para melhorar e aumentar, com as devidas condições educacionais. A criatividade e a inteligência Humana são fenómenos irreversíveis e inalienáveis. Essa é uma das razões porque venho defendendo o meu sistema de uma Sociedade Global de Valor Humano, ao ponto de o querer transformar num Paradigma para o Futuro da Sociedade.

Outra razão prende-se com o facto de os Valores Humanos já se encontrarem suficientemente difundidos pela Sociedade, para que esta nada fizesse para alterar esse estado de coisas indignas de Seres Humanos.

Mesmo em condição ditatorial a tendência seria que esta não se aguentasse muito tempo, sem que a Liberdade responsável, associada à Inteligência Coletiva, tomasse as devidas medidas de intervenção.

Temos todas as razões e mais algumas para desenvolver a Democracia e a tornar suficientemente ágil e interventora, para não permitir uma situação dessa natureza – transformar Pessoas em inúteis.

Eu compreendo que o mundo Empresarial e Corporativo se encontra numa tendência de querer conhecer os anseios, as emoções, os impulsos, os gostos e as personalidades de todos os potenciais consumidores com as ferramentas do Neuromarketing. E, mais grave que isso, que as Pessoas têm sido demasiado passivas e permissivas no desenvolvimento de tais metodologias. Mas considero que a nossa inteligência será bem mais flexível e arguta, para não se deixar ‘dominar’ nem manipular, ao ponto de tomarem conta da nossa consciência e capacidade de ação, individual e coletiva.

Este Mundo Global tem tantos e tão graves problemas por resolver que o mais provável será o processo descambar para outras tendências. Problemas nos sistemas Educacionais, Sociais, de Saúde, de Justiça e desenvolvimento Humano, são tão graves e tão carentes de melhores soluções, que acabarão por se sobrepor a qualquer tentativa de manipulação.

As nossas atitudes e comportamentos como Seres das novas Sociedades, sempre determinarão os caminhos do Futuro. Se nada fizermos para melhorar os sistemas de Ensino e de Escolaridade, por esse mundo fora, então será mais garantido que estaremos mais propensos a ser manipulados Política, Económica e Financeiramente. Sem Valores Humanos e sem uma Educação de qualidade estaremos vulneráveis a todos os ‘lobos’ e ‘animais selvagens’ que nos queiram ‘comer por parvos’ e manter medrosos do que aí virá.

Inteligência e Consciência Coletivas são duas dimensões Humanas que poderão, seguramente, contribuir para o nosso Futuro Coletivo mais saudável e criativo, em Liberdade e em Paz.

Tenho confiança nos Seres Humanos e no Futuro Coletivo que possam desenvolver, mas temos de ser mais interventores, mais inteligentes e ter uma consciência coletiva com Valores Humanos, para que a Democracia possa ter a dimensão que há tantos séculos o Homem ambiciona.

Valorizemo-nos TODOS e apetrechemo-nos com as ‘ferramentas’ tecnológicas e mentais estritamente necessárias para o nosso desenvolvimento como Seres Humanos de Valor a nível Global.

Não se deixem manipular nem ‘dominar’ por conceitos conducentes a Ditaduras, ou sistemas totalitários, porque esses não representarão o verdadeiro Ser Humano de Valor no Futuro.

Alfredo Sá Almeida                                                                           29 de Agosto de 2018

O que é que você valoriza?

Valorize-se

Esta é a questão crucial que TODOS nós deveremos colocar, neste início de século, para podermos interagir com os nossos pares e não desequilibrarmos a evolução da Humanidade.

Se você valoriza:

  1. A Vida;
  2. Os Valores Humanos;
  3. Uma Educação de qualidade para todos;
  4. A sustentabilidade da Biosfera;
  5. O respeito pelo clima e pelos fatores que o podem alterar irreversivelmente;
  6. O conhecimento e a sua difusão;
  7. O respeito pelas diferenças em todos os aspetos da vida;
  8. A Liberdade e a Responsabilidade dos seus actos;
  9. O seu desenvolvimento mental com humildade;
  10. A Democracia como forma de desenvolvimento político.

E consegue dar ‘corpo’ a estes Valores, então estará em boa posição para desenvolver o nosso Futuro Coletivo e contribuir para a nossa Consciência Coletiva.

Estes Valores Universais deveriam constituir a ‘base’ de qualquer Ser Humano no nosso Planeta. Deveriam ser transmitidos na escolaridade obrigatória e contribuir para a formação do caráter de cada Cidadão.

A grande dificuldade prende-se com o facto de sermos capazes, ou não, de convencer os nossos pares que este é o caminho a seguir para o Futuro da Humanidade. Quanto maior o número de Pessoas que tiverem Consciência destes Valores e da sua importância no nosso desenvolvimento como Seres Humanos, maior será a probabilidade de conseguirmos mudar os ‘padrões’ da nossa Sociedade atual.

Se, nos cargos de poder Político, Judicial, Militar, Social, etc. estiverem Pessoas capazes de personificar estes Valores e a sua valorização, então estaremos no caminho certo para um Futuro melhor para TODOS.

Não se deixe ‘corromper’ por outras filosofias limitativas do Ser Humano. Nós somos a espécie que detém o Poder neste Planeta e possuímos a capacidade de desenvolver com inteligência ou destruir. Até à data temos produzido mais MAL que BEM, mais guerra que Paz, mais destruição que desenvolvimento. Nós podemos mudar este estado de coisas. Basta querermos com consciência e determinação argumentativa.

Você não gostaria de contribuir para MUDAR O MUNDO?

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Alfredo Sá Almeida                                                                              27 de Agosto de 2018

O Homem está a perder a razão em relação ao Ser Humano

Homem absurdo

Sob o ponto de vista filosófico Homem e Ser Humano não possuem a mesma identidade. Normalmente o termo Homem está mais associado à antropologia filosófica. “O que temos claro, todavia, é que nem sempre as concepções de ordem antropológico filosóficas estão em consonância com os próprios princípios bioéticos, bem como com as normas vigentes na ordem jurídica.” – Emerson Silva Barbosa.

Ainda, recorrendo ao excelente artigo de Emerson Silva Barbosa, intitulado “O conceito de homem, pessoa e ser humano sob as perspetivas da Antropologia Filosófica e do Direito” (http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=9837) publicado no Portal “Âmbito Jurídico” sob o tema Biodireito, podemos encontrar matéria muito interessante referente a Ser Humano.

“Conforme Singer (2000), Fletcher compilou uma lista daquilo a que chamou indicadores de humanidade, em que incluiu o seguinte:

a) Autoconsciência
b) Autodomínio
c) Sentido do futuro
d) Sentido do passado
e) Capacidade de se relacionar com outros
f) Preocupação pelos outros
g) Comunicação
h) Curiosidade

Dos indicadores apontados, destaca Singer que os elementos mais importantes seriam a racionalidade e a autoconsciência, conforme se extrai do conceito de Locke (Singer, 2000). E é nesta acepção que afirma deva ser compreendido o conceito de pessoa.”

Ainda de acordo com Singer (2000):

É este o sentido do termo que temos em mente quando elogiamos alguém dizendo que ‘é muito humano’ ou que tem ‘qualidades verdadeiramente humanas’. Quando dizemos tal coisa não estamos, é claro, a referir-nos ao facto de a pessoa pertencer à espécie Homo sapiens que, como facto biológico, raramente é posto em dúvida; estamos a querer dizer que os seres humanos possuem tipicamente certas qualidades e que a pessoa em causa as possui em elevado grau.” (http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=9837)

A meu ver – assumo o risco de atribuição de identidade – Homem é um Ser Humano sem Alma e sem os Valores que caracterizam a Humanidade.

Humans

É neste contexto que surge o tema deste texto. Considero que o Homem se está a tornar um absurdo (‘que é contrário ao bom senso e racionalidade’) relativamente ao Ser Humano. A ausência crescente de Valores Humanos são a causa desse absurdo.

Assistimos com demasiada frequência a muitas irracionalidades do Homem por falta de uma Educação em Valores Humanos e de princípios orientadores que lhe dariam a dimensão de Ser Humano.

Infelizmente os exemplos são tantos e tão tristes nos campos da Educação, da Política, da Justiça, da Economia, das Finanças e de muitas outras áreas do saber, que estou seguro que os meus Leitores se lembrarão de casos concretos sobre o que estou a escrever. Temo que, na sua evolução, o Homem se transforme numa aberração da Natureza, tal é a descaracterização Humana que vem demonstrando.

A questão que me preocupa bastante é que não se está a fazer o suficiente para valorizar o Ser Humano e inibir o crescendo de atitudes e comportamentos irracionais e emocionalmente deploráveis, que o Homem provoca à Sociedade.

Todos nós sabemos que o equilíbrio dinâmico entre as Inteligências Racional e Emocional são um fator importante de harmonia em Sociedade. No entanto, temos assistido passivamente a fenómenos de corrupção, agressão, terrorismo, injustiça, ofensa, mentira descarada, etc.. Esta passividade está a minar os caminhos pacíficos da construção de um novo Paradigma Global, que se desdobrará em novos Paradigmas interdependentes e coerentes com o desenvolvimento Humano na nossa Biosfera.

A recente manifestação nos Estados Unidos a favor do controlo eficaz das armas e contra o livre acesso a armas de guerra, é um exemplo do absurdo que a política norte americana está a produzir na sociedade.

Outro exemplo aberrante é o caso da Justiça Brasileira, que julgou e condenou, em primeira e segunda instância o ex-presidente, e que corre o risco do Supremo Tribunal Federal, politizando o assunto, ‘produzir’ a libertação de um condenado.

Estes são dois casos entre muitos, por esse mundo fora, que acabam ‘destruindo’ o Ser Humano e o Futuro da Humanidade.

Problema dos Valores

Alfredo Sá Almeida                                                                                  25 de Março de 2018